sábado, 2 de abril de 2016

Depressão Anaclítica e Hospitalismo

 
 
 


Entende-se pelo conjunto de perturbações que o bebé pode sofrer devido a carências maternas quantitativas. Na ausência da mãe, as reações consequentes da separação, podem provocar, ao fim de três meses, uma depressão anaclítica, devido à falta da figura materna e, ao fim de cinco meses, pode emergir um quadro grave de hospitalismo, que pode não ser inteiramente reversível. 

Quando crianças de idades muito precoces são sujeitas a uma privação de contato com os seus entes mais próximos, seja em situação de um abandono materno ou a uma temporada passada num hospital, vão sofrer de problemas tanto físicos como psicológicos que podem afetar o seu desenvolvimento normal. Tais como: atraso no desenvolvimento corporal; insônias; queda de peso; alteração do seu estado geral; incapacidade de adaptação ao meio; fragilidade e imunidade a doenças infeciosas; mutismo semelhante ao autismo.

Este autismo pode ter consequências muito graves como, por exemplo, levar a uma psicose.  As crianças sofrem de graves insónias e estão sujeitas a doenças inter-decorrentes de deficiência ao nível imunitário, estão sujeitas a doenças orgânicas, pois vão ficando cada vez mais fracas e muito paradas, sem grande ação e sem expressão no rosto.
Nos casos de total carência afetiva, ligada à falta de qualquer vínculo maternal, os distúrbios podem levar à morte. A um nível psicológico, existem diversas reações à doença física, ao nível da realidade e ao nível do imaginário. A nível da realidade, as crianças sofrem pela separação dos pais, amigos e do seu meio. Ao nível do imaginário, a doença mobiliza angústias e fantasmas, em função do modo como a criança se representa na doença.
A doença é sentida como um castigo, como uma falta cometida por algum ato, que lhe cria culpabilidade, e da qual agora está a sofrer as consequências. A criança sente que está a ser punida por alguma falta que cometeu. Parece um pouco dramático, mas se se pensar que se trata de crianças muito pequenas e que se encontram hospitalizadas num quadro neutro, sem terem o apoio e a presença das figuras paternais significativas para o bebé, nos cuidados prestados ou, em situações limite, em casos, de abandono, pode-se compreender que se trata de uma situação muito grave. 


O que está em jogo do ponto de vista psicológico é a perda de identidade do ser, já que a criança não usufrui da presença da figura materna. Nestes casos, nas suas relações faltou o rosto do outro, porque este está ausente e consequentemente as crianças entram numa grande depressão. Não têm um sentimento de continuidade e estabilidade nas relações com o outro, pelo contrário, o que vivenciam é uma separação, uma distorção da realidade que conheciam e uma descontinuidade nos cuidados prestados pelos pais. A separação da família e do seu lar é uma experiência dolorosa e a que não está habituada. 

Os estudos efetuados por René Spitz levaram a que, em 1945, houvesse uma primeira reforma das condições de hospitalização de crianças pequenas e que em 1950 a Organização mundial de saúde passasse a incluir nas suas orientações um documento de nome “Cuidados maternos e saúde mental”, onde se afirma: “...ficar claramente demonstrado que os cuidados maternos no decurso da primeira infância desempenham um papel essencial no desenvolvimento harmonioso da saúde mental”
 
 
 
Bibliografia:
Livro de Psicologia B do 12º ano (1ª Parte)
http://www.scribd.com/doc/2437175/Desenvolvimento-na-primeira-infancia-Perspectiva-de-Rene-Spitz
 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Tudo sobre depressão pós-parto e baby blues

 

Os primeiros dias após o nascimento do bebê são um misto de sentimentos para as mães, sendo os hormônios os principais responsáveis por essa mudança. Reações como angústia e tristeza são normais no puerpério, mas a família deve ficar atenta para notar quando o comportamento da mulher indica depressão, doença séria que exige acompanhamento.
 
 
Grávida com depressão (Foto: Shutterstock)

 
Dá para imaginar um momento mais feliz para uma mãe do que a chegada de seu tão esperado bebê ao mundo, depois de longos nove meses de gestação? Quando imaginamos a cena, vemos a mulher sorrindo, com seu filho saudável, em meio a roupas coloridas, bichos de pelúcia e aquele cheirinho de bebê. Mas nem sempre é exatamente assim. Algumas mães, mesmo nesse contexto positivo, vivenciam tristeza e melancolia. Na maior parte dos casos, trata-se do chamado baby blues. Um grupo menor - a literatura científica mundial estima uma taxa que varia entre 10 e 15% das novas mães - enfrenta um problema ainda mais grave: a depressão pós-parto.
Como diferenciar um do outro? "Enquanto o baby blues é passageiro, causado apenas pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto e não precisa de nenhum tratamento, a depressão tem antecedentes - ou seja, não é ocasionada pela gravidez ou pelo nascimento da criança - e precisa de acompanhamento médico, inclusive com tratamento químico", diz Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo, em São Paulo.
Por quê? Por quê? Por quê?
Em uma enquete realizada pela CRESCER, 43% das leitoras afirmaram ter vivenciado o baby blues. Um dos fatores que mais complica essa turbulência emocional é que, muitas vezes, a família não entende, o marido não sabe como agir e, às vezes, nem a própria mulher compreende o que está acontecendo com ela. "A mãe vê todo mundo feliz, o bebê em ótimas condições de saúde e tudo está perfeito, mas ela não consegue se sentir bem e começa a achar que está louca", explica a especialista.
 
O primeiro passo, tanto para a mãe quanto para as pessoas que a cercam, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou fraqueza. É um comportamento involuntário. Da mesma maneira inesperada que vem, o baby blues também se dissipa sozinho, em geral depois de 15 ou 20 dias. Além de esperar e  ter paciência, a mãe precisa contar com o apoio prático da família. "Isso significa ter alguém que pegue o bebê no colo para ela poder dormir um pouco mais, que cuida da criança enquanto ela toma um banho ou se alimenta... Conselhos não ajudam porque o baby blues é uma condição física", afirma Rita. Além disso, a própria mãe tem de tentar ser mais compreensiva consigo mesma e menos severa na autocrítica.
Além da tristeza
Mais raro e mais grave que o baby blues é a depressão pós-parto. Embora muitas mulheres confundam os sintomas, os dois quadros são bem diferentes. A depressão é um problema que costuma acometer mães que já tinham antecedentes: seja manifestação de doença mental, trauma (como assalto, acidentes, perdas ou separações) vivido antes ou durante a gravidez ou até falta de estrutura emocional para lidar com alguma dificuldade na gestação, como o fato de a criança apresentar doença congênita, por exemplo, entre outras razões.
 
"A mãe perde a vontade de viver, manifesta o desejo de se matar, fala ou pensa em agredir a criança ou até a si mesma: são todos indícios de que ela está, de fato, em depressão", explica a psicóloga. Nesse caso, ela precisa de muito mais que apoio e paciência. A mulher deve ser acompanhada por um médico psiquiatra, que provavelmente recomendará um tratamento químico, com remédios.
De acordo com Rita, o obstetra é o profissional mais importante para identificar os primeiros sinais e encaminhar a mãe para o tratamento. Se ela já teve alguma outra doença mental antes, como a própria depressão ou síndrome do pânico, ele deve ficar atento ainda durante a gestação e acompanhar. Ele também poderá avaliar o estado da saúde psíquica da mulher na consulta que acontece após o parto, sempre nas primeiras semanas de vida do bebê.
Bem antes do bebê
Prestar atenção no histórico e no comportamento da mulher antes do parto pode ser mesmo o caminho mais eficaz para a prevenção. Um estudo realizado pela Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, observou os casos de mais de 8 mil mulheres com graus diferentes de depressão pós-parto e concluiu que dois terços das mães com sintomas severos começaram a manifestar a doença ainda durante a gestação e não somente depois de dar à luz.
A mesma pesquisa percebeu que as mulheres com uma versão moderada de depressão pós-parto revelaram os sinais após o nascimento dos filhos, mas 60% delas tiveram complicações na gravidez, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia ou hipertensão. De acordo com os cientistas, a descoberta é um avanço no sentido de facilitar o diagnóstico precocemente e, assim, adequar o tratamento. "Este é definitivamente um primeiro passo na direção certa", diz Leah Rubin, professora-assistente do Programa de Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Universidade de Illinois.
Dá para evitar?
No caso do baby blues, como ele é ocasionado por hormônios, simplesmente não dá para se prevenir. É como a tensão pré-menstrual: algumas mulheres têm vários sintomas e outras não. "O que pode ser feito, antes ou durante a gestação, é buscar informações e conversar sobre o assunto com a família. Assim, caso aconteça, todos já sabem do que se trata e fica mais fácil compreender a questão", alerta Rita.
Já a depressão pós-parto pode - e deve - ser evitada. Se a mãe já sofreu de doenças parecidas ou se passa por uma situação estressante, que possa desencadear o problema, ainda durante a gravidez, ela, o médico obstetra, o parceiro e a família devem ter cuidado redobrado e acompanhar possíveis alterações comportamentais de perto.
 
Dá para imaginar um momento mais feliz para uma mãe do que a chegada de seu tão esperado bebê ao mundo, depois de longos nove meses de gestação? Quando imaginamos a cena, vemos a mulher sorrindo, com seu filho saudável, em meio a roupas coloridas, bichos de pelúcia e aquele cheirinho de bebê. Mas nem sempre é exatamente assim. Algumas mães, mesmo nesse contexto positivo, vivenciam tristeza e melancolia. Na maior parte dos casos, trata-se do chamado baby blues. Um grupo menor - a literatura científica mundial estima uma taxa que varia entre 10 e 15% das novas mães - enfrenta um problema ainda mais grave: a depressão pós-parto.
Como diferenciar um do outro? "Enquanto o baby blues é passageiro, causado apenas pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto e não precisa de nenhum tratamento, a depressão tem antecedentes - ou seja, não é ocasionada pela gravidez ou pelo nascimento da criança - e precisa de acompanhamento médico, inclusive com tratamento químico", diz Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo, em São Paulo.
Por quê? Por quê? Por quê?
Em uma enquete realizada pela CRESCER, 43% das leitoras afirmaram ter vivenciado o baby blues. Um dos fatores que mais complica essa turbulência emocional é que, muitas vezes, a família não entende, o marido não sabe como agir e, às vezes, nem a própria mulher compreende o que está acontecendo com ela. "A mãe vê todo mundo feliz, o bebê em ótimas condições de saúde e tudo está perfeito, mas ela não consegue se sentir bem e começa a achar que está louca", explica a especialista.
 
O primeiro passo, tanto para a mãe quanto para as pessoas que a cercam, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou fraqueza. É um comportamento involuntário. Da mesma maneira inesperada que vem, o baby blues também se dissipa sozinho, em geral depois de 15 ou 20 dias. Além de esperar e  ter paciência, a mãe precisa contar com o apoio prático da família. "Isso significa ter alguém que pegue o bebê no colo para ela poder dormir um pouco mais, que cuida da criança enquanto ela toma um banho ou se alimenta... Conselhos não ajudam porque o baby blues é uma condição física", afirma Rita. Além disso, a própria mãe tem de tentar ser mais compreensiva consigo mesma e menos severa na autocrítica.
Além da tristeza
Mais raro e mais grave que o baby blues é a depressão pós-parto. Embora muitas mulheres confundam os sintomas, os dois quadros são bem diferentes. A depressão é um problema que costuma acometer mães que já tinham antecedentes: seja manifestação de doença mental, trauma (como assalto, acidentes, perdas ou separações) vivido antes ou durante a gravidez ou até falta de estrutura emocional para lidar com alguma dificuldade na gestação, como o fato de a criança apresentar doença congênita, por exemplo, entre outras razões.
 
"A mãe perde a vontade de viver, manifesta o desejo de se matar, fala ou pensa em agredir a criança ou até a si mesma: são todos indícios de que ela está, de fato, em depressão", explica a psicóloga. Nesse caso, ela precisa de muito mais que apoio e paciência. A mulher deve ser acompanhada por um médico psiquiatra, que provavelmente recomendará um tratamento químico, com remédios.
De acordo com Rita, o obstetra é o profissional mais importante para identificar os primeiros sinais e encaminhar a mãe para o tratamento. Se ela já teve alguma outra doença mental antes, como a própria depressão ou síndrome do pânico, ele deve ficar atento ainda durante a gestação e acompanhar. Ele também poderá avaliar o estado da saúde psíquica da mulher na consulta que acontece após o parto, sempre nas primeiras semanas de vida do bebê.
Bem antes do bebê
Prestar atenção no histórico e no comportamento da mulher antes do parto pode ser mesmo o caminho mais eficaz para a prevenção. Um estudo realizado pela Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, observou os casos de mais de 8 mil mulheres com graus diferentes de depressão pós-parto e concluiu que dois terços das mães com sintomas severos começaram a manifestar a doença ainda durante a gestação e não somente depois de dar à luz.
A mesma pesquisa percebeu que as mulheres com uma versão moderada de depressão pós-parto revelaram os sinais após o nascimento dos filhos, mas 60% delas tiveram complicações na gravidez, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia ou hipertensão. De acordo com os cientistas, a descoberta é um avanço no sentido de facilitar o diagnóstico precocemente e, assim, adequar o tratamento. "Este é definitivamente um primeiro passo na direção certa", diz Leah Rubin, professora-assistente do Programa de Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Universidade de Illinois.
Dá para evitar?
No caso do baby blues, como ele é ocasionado por hormônios, simplesmente não dá para se prevenir. É como a tensão pré-menstrual: algumas mulheres têm vários sintomas e outras não. "O que pode ser feito, antes ou durante a gestação, é buscar informações e conversar sobre o assunto com a família. Assim, caso aconteça, todos já sabem do que se trata e fica mais fácil compreender a questão", alerta Rita.
Já a depressão pós-parto pode - e deve - ser evitada. Se a mãe já sofreu de doenças parecidas ou se passa por uma situação estressante, que possa desencadear o problema, ainda durante a gravidez, ela, o médico obstetra, o parceiro e a família devem ter cuidado redobrado e acompanhar possíveis alterações comportamentais de perto.

 
 
 Depressão pós-parto: dicas que vão ajudá-la a ficar longe dela
 
 
Durante a gravidez e no pós-parto, a mulher fica mais suscetível à depressão: 15% das novas mães sofrem da doença no mundo todo, e duas em cada três mulheres sentem os sinais do problema ainda na gravidez. A boa notícia é que estudos recentes mostram que sua postura frente a determinadas situações ajudaria a evitar o mal. Tentar ficar calma diante daquilo que não saiu exatamente como você planejou, por exemplo, pode manter seu equilíbrio emocional e até combater os efeitos de uma tristeza que insista em ficar. Confira outras dicas para tentar se manter longe da depressão pós-parto:


1. Fuja do perfeccionismo e da ansiedade

Estudos indicam que as gestantes que se idealizam perfeitas como mães têm mais chances de desenvolver depressão do que aquelas que aos poucos vão descobrindo a melhor forma de cuidar e educar os filhos.


2. Converse com o futuro pai

Problemas de relacionamento com o companheiro são uma das principais causas de depressão. Se você sente dificuldade para falar sobre o assunto com ele, tente introduzir a conversa em momentos que são gostosos para vocês dois, como no jantar ou mesmo tomando banho juntos.


3. Pratique exercícios

Durante a atividade física, o cérebro libera endorfina, substância aliada à sensação de bem-estar. Salvo os casos em que o médico proibir, a recomendação é praticar um esporte durante a gravidez e no pós-parto.


4. Fuja de novas cobranças

Todos têm conselhos para a futura mãe e a cobrança pode ser extremamente estressante. Mesmo que sua mãe, a sogra e a cunhada já tenham experiência, você não precisa – nem deve – cumprir tudo o que a família quer. Estabeleça qual vai ser a participação de cada um.


5. Divida as tarefas

Nos primeiros meses de vida, o bebê vai depender muito de você. Para que a carga de trabalho não seja excessiva, o ideal é dividir tarefas antes mesmo de engravidar.


6. Atenção se você já teve

A ocorrência prévia de depressão na gestante ou em alguém da família é um fator de risco. Se você faz parte desse grupo, conte na primeira consulta ao obstetra. Também não estranhe se nos primeiros dias após o parto você se sentir um pouco triste. O sentimento, chamado baby blues, é normal e desaparece naturalmente.


7. Confie no obstetra

Os especialistas afirmam que a boa relação com o obstetra é um dos aspectos mais importantes. Você precisa ter empatia e confiança no profissional para se abrir e falar sobre qualquer sentimento, seja bom ou não. Quando isso acontece, ele pode identificar sinais de depressão e sugerir um acompanhamento específico se necessário.


8. Descanse

A privação do sono, em algumas pessoas, pode desestabilizar as emoções. Tanto pelo estresse físico como pelo mental, a mãe precisa descansar. Quando o bebê nascer, peça para o pai ou um parente tomar conta dele para que você descanse um pouco em alguns momentos, em especial nos primeiros dias.
 
 
 
Homem pode ter depressão durante a gravidez da mulher
 
 
Ter uma nova criança na família traz incontáveis alegrias. Ao mesmo tempo, porém, muitas mudanças acontecem – e é comum ouvir falar sobre o impacto que tudo isso exerce sobre o psicológico das mães. Mas, e os pais?
Eles também merecem atenção nessa nova fase da vida. É justamente isso que um estudo recente alerta: os homens podem ter depressão associada à chegada dos filhos.
A Universidade McGill, no Canadá, realizou uma pesquisa com 622 homens que iriam se tornar pais, com o objetivo de investigar a saúde mental deles. O resultado mostrou que 13% dos homens apresentam níveis elevados de sintomas de depressão durante a gravidez da companheira. Esse número representa 1 em cada 8 pais.
Em entrevista à CRESCER, a médica Deborah da Costa, que conduziu o estudo, reforçou que essa área de pesquisa é fundamental, porque, quando um dos pais da criança (ou ambos) estão deprimidos, os filhos também podem ser impactados emocional e socialmente.
Sintomas
O estudo afirma que existe uma relação clara entre os sintomas depressivos e as poucas horas sono do homem durante e após a gestação da companheira.
A pesquisa afirma ainda a depressão nessa fase da vida também parece estar associada a fatores como: histórico familiar, baixa satisfação conjugal, falta de suporte familiar, dificuldades financeiras e vivência de eventos estressantes.
A boa notícia, segundo os cientistas, é que esse início de depressão pode ser identificado precocemente para que não evolua para quadros mais graves.
Por que o pai?
“Há muitas décadas sabemos, na psicologia, que a gravidez é um dos dez fatores de maior estresse na vida das pessoas. Não é à toa que há tantos estudos sobre depressão pós-parto. Mas, há algum tempo, os pais também têm aparecido nos consultórios. Eles estão começando a notar certos desequilíbrios emocionais, como quadros de ansiedade e algumas tristezas. Quando nasce um filho, nasce uma mãe e um pai”, comenta Armando Ribeiro, psicólogo e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Ribeiro afirma que é preciso lembrar que, embora a gravidez aconteça no corpo feminino, o homem também participa do processo criando expectativas e questionando a si mesmo: “Será que serei um bom pai? Será que vou conseguir prover o que a criança precisará?”.  Tudo isso gera uma grande preocupação.

Além disso, é natural que, nessa fase, todas as atenções se voltem para a mulher, de modo que o homem fique em segundo plano. “Se ele já tem uma autoestima baixa, isso pode ser acentuado nesse momento”, ressalta o psicólogo.
Em busca de ajuda
Desânimo muito grande, apatia, pensamento negativo, tristeza duradoura e sem causa aparente, ansiedade, irritabilidade, alterações no apetite e no sono. Tudo isso pode indicar que algo não vai bem. Ao notar que o estado emocional já não é o mesmo de antes, é de extrema importância buscar auxílio profissional – sem preconceitos!

“Os transtornos mentais são quadros reais, como qualquer outra doença. Quanto mais cedo a pessoa procura ajuda, mais cedo o problema é tratado. Mas os homens ainda têm muita resistência a tratar doenças emocionais”, diz Ribeiro.

Por esse motivo, o psicólogo ressalta a importância que a mulher exerce no tratamento do companheiro. Na maioria das vezes, são elas que agendam as consultas para eles, e incentivam a ida ao consultório. “É bom ficar atento. O homem costuma resistir a qualquer busca de ajuda”, afirma Ribeiro.

Afinal, para cuidar bem dos filhos, é preciso cuidar de si mesmo antes.


Depressão paterna (Foto: Thinkstock)
 
 
Depressão pós-parto no homem também afeta os filhos
 
 
Não são só as mães que estão sujeitas a sofrer de depressão pós-parto. De acordo com números divulgados pelo Australian Institute of Family Studies (AIF'S), em março de 2015, 1 a cada 10 homens também desenvolve a doença. E assim como acontece na versão materna, a depressão dos pais também traz consequências para as crianças. Foi o que revelou um estudo recente da Northwestern University, dos Estados Unidos. Quando o homem sofre com os sintomas, seus filhos também podem desenvolver comportamentos preocupantes, como agressividade, ansiedade, tristeza e até desencadear atitudes negativas, como o hábito de mentir. É a primeira vez que se comprova a influência da depressão paterna na formação dos pequenos. O resultado foi publicado no periódico Couple and Family Psychology: Research and Practice.
A pesquisa reuniu aproximadamente 200 casais com filhos de 3 anos de idade. As famílias participaram de uma análise na época do nascimento das crianças. Individualmente, pais e  mães preencheram um formulário com questões sobre a depressão parental, a relação com o parceiro e as características comportamentais dos filhos, como tristeza, ansiedade e nervosismo. Os pais também reportavam aos cientistas quando as crianças praticavam ações como mentir e bater. Sheehan Fisher, psicólogo e autor do estudo, atribui os sintomas que aparecem nos filhos à falta de contato visual e afetivo dos pais no período de depressão.
O que desencadeia a depressão pós-parto nos homens
Para detectar a doença, alguns detalhes devem ser observados no pai. A hereditariedade não é regra, mas se existirem casos anteriores na família, o homem pode ser mais vulnerável. O histórico do casal também conta. A criança veio em um momento oportuno ou foi inesperada? Quanto mais organizada for a chegada do filho, mais preparado emocionalmente estará o pai. Uma gravidez não planejada aumenta a possibilidade de surgirem conflitos que, quando mal resolvidos, podem desencadear um quadro mais sério.
As questões internas do homem devem ser levadas em conta: é preciso saber como foi a vivência dele com o próprio pai, como ele se vê tendo que cuidar do filho, o momento em que a carreira profissional dele se encontra e a relação com a mãe da criança. A possibilidade de ele ter sofrido alguma perda recente, como a do emprego, por exemplo, pode influenciar em seu emocional. Problemas financeiros nesse momento levam a um sentimento de impotência. O pai teme não conseguir oferecer ao filho tudo o que imaginava.
Não o deixe de fora
Quando há antecedentes de baixa autoestima e insegurança, o homem pode se sentir mal por ser colocado como coadjuvante durante a gravidez e após o parto, afinal, nesse momento, toda a atenção fica voltada para a mãe e para a criança. É necessário que a ideia de grupo seja ressaltada. O pai também deve cumprir seu papel e ajudar a mulher. Nesse caso, a aproximação com a gravidez é uma forma de prevenção.
E a futura mãe tem um papel importante para que o homem se sinta perto do bebê quando ele ainda está na barriga. Mostrar quando ele estiver mexendo, convidar para as consultas e exames e pedir ajuda na hora de escolher detalhes do enxoval são pequenas atitudes que fazem diferença. Depois, com a chegada do bebê, esse comportamento da mãe deve continuar. Ela deve permitir que ele cuide do filho, dê banho e execute outras tarefas, que não dependam só dela. Pode não ser da maneira como ela faria, mas é o jeito dele, e respeitar isso é fundamental.
Quanto mais instáveis estiverem todos esses aspectos, mais suscetível o pai estará a desenvolver uma depressão. No entanto, vale ressaltar: doenças emocionais e mentais não têm uma causa única. Elas são multifatoriais.
Os primeiros sintomas visíveis
Os homens costumam ter uma dificuldade maior de falar do seus sentimentos, em comparação com a mulher. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, em 2014, 70% deles só buscam apoio profissional sob influência das mulheres ou dos filhos. Às vezes, a família e os amigos acabam diminuindo o problema e isso desestimula a pessoa a assumir que precisa de apoio profissional. Os mais próximos, portanto, podem ajudar a perceber os primeiros sintomas de depressão, que são:

- Irritação, ansiedade, nervosismo, mau humor ou tristeza persistentes
- Desinteresse em atividades que antes eram prazerosas
- Dificuldade para dormir ou excesso de sono

- Falta de apetite ou comer demais
- Perda de libido
 
Pressão não ajuda
Crenças comuns, como a de que o pai deve ser um super-herói e que, portanto, não pode fraquejar, reforçam a pressão e também podem piorar o quadro. Para não descumprir o papel que as pessoas esperam que execute, o homem tenta negar os sintomas, quando, na verdade, ele também está vulnerável por conta das mudanças emocionais. Ainda que tente esconder, em algum momento, a doença aparece e os reflexos negativos acontecem na vida conjugal, na relação com a família ou no trabalho.
Assim como a causa, o tratamento de depressão pós-parto nos pais também varia, de acordo com a gravidade do problema. Há uma avaliação psicológica e, dependendo do resultado, o profissional pode recomendar terapias de apoio, atividades físicas e inclusão de suplementos vitamínicos na dieta. Dependendo do cenário, o psiquiatra prescreve tratamento químico com medicamentos.
Fontes: Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP), Dr. Affonso Celso Vieira Marques, ginecologista da Beneficência Portuguesa (SP) e Bianca Balassiano Najm, psicóloga e especislista em amamentação e pós-parto.


Retirado da Revista Crescer
 
 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quero vencer a depressão mas minha família me atrapalha



Vencer um estado de angústia já é difícil, mas, quando as mudanças necessárias para isso envolvem outra pessoa, o desafio se torna ainda maior. Muitos indivíduos deprimidos ou com síndromes associadas ao stress sabem como se mostra complicado deixar de consumir açúcar com o(a) namorado(a) dizendo o quanto você está gordo(a) ou como é difícil se mobilizar para procurar emprego com o parceiro o acusando de ser uma vagabundo ou um imprestável. Ou, ainda, o quanto é difícil estudar mais com os pais sempre dizendo que você não faz nada e só fica o dia inteiro vendo TV.
Esse tipo de situação leva ao que eu chamo de simbiose neurótica (para os naturalistas ortodoxos ou, para os “psiquistas” ortodoxos, neurose simbiótica). Isso ocorre porque, diante da cobrança do outro, a pessoa sente um misto de sentimentos negativos, como raiva, mágoa e frustração, e não consegue se mobilizar para fazer mudanças, ainda que pequenas.
A inação faz com que o outro, por sua vez, o cobre ainda mais em relação às mudanças ou simplesmente faça desabafos acusatórios: “Eu não disse? Você não faz nada!”. Essa peleja vira um ciclo vicioso de raiva e aprofundamento da situação problemática, afastando cada vez mais a pessoa da superação do problema.
O indivíduo que está passando por aquela angústia poderia enfrentá-la mais facilmente se tivesse apoio de quem está por perto, mas isso nem sempre configura a realidade, até porque o outro também pode carregar suas próprias angústias (comportamentos de função inadequada ou neuroses). Assim, a solução para esses impasses depende principalmente daquele que está deprimido ou sob estresse.
Havia uma paciente que estava vivenciando um forte transtorno depressivo persistente (distimia), inclusive com comportamentos autolesivos e ideias suicidas. Aluna da maior universidade do país, ela praticamente não saía do quarto e se sentia um peso para a família. Apesar de todo o sofrimento, havia coisas que ela gostaria de fazer e que lhe trariam satisfação. Essas coisas ajudam no tratamento terapêutico porque é a partir delas que as mudanças começam a se estabelecer.
Uma das coisas que ela escreveu em sua lista era poder cozinhar sua própria comida, com ingredientes naturais e saudáveis. Acontece que, no primeiro dia em que ela foi para a cozinha, sua mãe, ao invés de destacar o quão bacana era vê-la cozinhando, preferiu repetir que ela não estava indo na academia e que precisava sair de casa e blá-blá-blá. No meio do discurso da mãe, ela simplesmente abandonou a cozinha e voltou a se trancar no quarto. Um desastre.
Ainda assim ela tentou a cozinha uma segunda vez em outro dia. Talvez por ter refletido um pouco (talvez não), a mãe não a criticou e resolveu explicitar que achava bom ver a filha cozinhando. Ainda assim, fez isso de forma aversiva: falou sobre como ela comia mal e que até que enfim estava fazendo alguma coisa porque senão acabaria mofando trancada no quarto. Ouvir isso foi insuportável para minha paciente, que novamente se recolheu na solidão de sua cama. Por isso que, em alguns casos de terapia, se mostra importante a participação da família. Mas isso nem sempre é possível.
O caminho para quem está doente, então, consiste em adotar duas estratégias. A primeira é manter-se engajado nos objetivos estabelecidos apesar das ações de terceiros e a segunda é aprender a diferenciar os sentimentos dos comportamentos e começar as mudanças a partir dos comportamentos e não dos sentimentos, que são involuntários.
Vejamos o que aconteceu com aquela paciente. Ela passou a ir para a cozinha diariamente para preparar suas refeições. A mãe continuou fazendo críticas. Conforme combinamos no consultório, ela procurou ignorar a fala da mãe e a se concentrar no prazer que sentiria minutos depois ao degustar a comida preparada com as próprias mãos. Adicionalmente, e com muito esforço, procurou trazer assuntos diferentes para conversar com a mãe.
Isso foi se repetindo dia após dia e, conforme o tempo passava, a mãe era cada vez menos aversiva e ela sentia cada vez menos raiva e cada vez mais prazer até que, poucas semanas depois, a mãe perguntou se poderia comer com a filha. E foi nessa refeição que puderam conversar um pouco mais sobre ambas e sobre a depressão da filha.
Essa pequena mudança de comportamento não foi a solução para a depressão mas abriu as portas para chegar nela. Minha paciente inaugurou um processo de reconciliação com seus sentimentos, aprendeu a enfrentar seus medos e descobriu o que lhe faltava. E o que faltava era exatamente o amor e a presença da mãe.
A mãe não é uma pessoa má. Na verdade, sentia-se culpada e impotente diante da angústia da filha mas acabava manifestando isso de maneira inadequada. Ambas se machucavam mutuamente até que a filha encontrou um caminho alternativo. E esse caminho foi exatamente o caminho do prazer, que só foi possível quando ela deixou de lado o peso da cobrança e da culpa e olhou simplesmente para o que lhe fazia bem. E toda a mudança começou com a preparação de uma simples salada com arroz integral.
Mangia que te fa bene!
Texto orginal de VejaSP



 

Depressão muda o relógio biológico: veja o que se sabe sobre a rotina cerebral



Durante todo o dia, um relógio faz tique-taque no nosso corpo. Ele acorda-nos de manhã e faz com que possamos dormir de noite. Aumenta e diminui a temperatura do nosso organismo e, nas horas certas, regula a produção de insulina e de outras hormônios.

O relógio circadiano influência até os nossos pensamentos e sentimentos. Psicólogos mediram alguns dos efeitos no cérebro pedindo que pessoas fizessem testes cognitivos em horas diferentes do dia.
Constatou-se que o final da manhã é a melhor hora para fazer tarefas como contas aritméticas de cabeça, que exigem a manutenção de várias peças de informação na mente ao mesmo tempo. Mais tarde é a hora de tentar tarefas mais simples, como procurar por uma letra numa página com rabiscos.
Outra pista sobre o relógio nos nossos cérebros vem de pessoas com condições como depressão e transtorno bipolar. Quem tem esses problemas geralmente sente dificuldade para dormir à noite ou sente-se zonzo durante o dia. Algumas pessoas com demência ficam confusas ou agressivas no final do dia.
"Os ciclos de sono e atividade desempenham um papel importante nas doenças psiquiátricas", afirma Huda Akil, neurocientista da Universidade de Michigan.
Ainda assim, os neurocientistas lutam para entender exatamente como o relógio circadiano afeta as nossas mentes. Afinal, os pesquisadores não podem simplesmente abrir o crânio de um sujeito e monitorizar as suas células cerebrais durante cada período do dia.
 
 
 
Alguns anos atrás, Huda Akil e os seus colegas tiveram uma ideia.
A Universidade da Califórnia em Irvine guarda cérebros doados para a ciência. Alguns dos seus antigos donos morreram de manhã, alguns durante a tarde e outros de noite. Huda e colegas questionavam-se se havia diferenças nos cérebros dependendo da hora do dia em que os seus doadores faleceram.
"Talvez seja uma ideia simples, mas ninguém havia pensado nisso."
Ela e os seus colegas seleccionaram cérebros de 55 pessoas saudáveis cujas causas de morte foram súbitas, como acidentes de viação. De cada cérebro, os pesquisadores fatiaram tecidos de regiões importantes para a aprendizagem, para a memória e para as emoções.
No momento em que cada um morreu, as suas células cerebrais estavam a produzir proteínas de certos genes. Como os cérebros foram preservados rapidamente, os cientistas ainda podiam medir a atividade desses genes na hora da morte.
A maioria dos genes que examinaram não revelou nenhum padrão regular de atividades no curso do dia, mas descobriram que mais de mil deles seguiam um ciclo diário. As pessoas que morreram na mesma hora do dia estavam a produzir os mesmos níveis de proteínas daqueles genes.
Os padrões eram tão consistentes que os genes podiam agir como um marcador de tempo.
"Poderíamos perguntar: 'A que hora do dia essa pessoa morreu?', e daria para apontar, após uma hora, o momento real da morte", diz Huda.
Ela e os seus colegas então fizeram a mesma análise nos cérebros de 34 pessoas que tiveram depressões fortes antes de morrer. Dessa vez, descobriram que o mesmo marcador de tempo estava bastante fora da ordem.
"Era como se as pessoas estivessem no horário do Japão ou da Alemanha", conta.
Huda e os seus colegas publicaram os resultados em 2013, inspirando pesquisadores na Escola de Medicina da Universidade de Pittsburg a tentar replicá-los.
"Era uma coisa que antes pensávamos que não poderíamos fazer", explica a neurocientista Collen A. McClung.
Collen e a sua equipa fizeram uma versão ampliada do estudo, examinando 146 cérebros recolhidos no programa de doações da universidade. Os pesquisadores publicaram os seus resultados no The Proceedings of the National Academy of Sciences.
"Encontramos ritmos muito consistentes. Realmente parece uma foto de onde o cérebro estava na hora da morte", afirma Collen.
Huda ficou grata que outra equipa de pesquisadores se tenha esforçado para apoiar o seu resultado.
"Existe uma série de coincidências que fazem com que acredite que algo realmente está a acontecer ali", explica ela.
Mas Collen e os seus colegas também fizeram o que ninguém havia tentado; compararam os padrões da expressão genética do cérebro de jovens e velhos e descobriram diferenças intrigantes.
Os cientistas esperavam encontrar pistas para explicar por que o ciclo circadiano das pessoas mudava à medida que elas envelheciam. "Quando envelhecem, os seus ritmos tendem a deteriorar-se e a adiantar-se", diz Collen.

Ela descobriu que alguns dos genes que estavam activos nos ciclos diários fortes em pessoas jovens diminuíram naqueles com mais de 60 anos. É possível que alguns idosos parem de produzir as proteínas nos seus cérebros necessárias para manter os ritmos circadianos.
Para sua surpresa, no entanto, os investigadores também descobriram alguns genes que se tornam activos nos ciclos diários apenas em pessoas de mais idade.
"Parece que o cérebro pode estar a tentar compensar ligando um relógio extra", afirma Collen.
Huda imagina que a habilidade do cérebro de forjar um relógio de apoio pode proteger alguns idosos de doenças neurodegenerativas.
"Pode ser a diferença entre a deterioração ou não", diz ela.
 
Fonte: Psicologia.pt

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Como ajudar alguém com Transtorno do Humor: Depressão e Bipolaridade



Os transtornos do humor, como depressão e transtorno bipolar, afetam milhões de pessoas. Familiares e amigos também são afetados de alguma forma.
Se um ente querido, um familiar, tem o transtorno de humor, você também pode se sentir desamparado, oprimido, confuso e sem esperanças, ou ainda você pode se sentir magoado, irritado, frustrado e com ressentimentos. Você também pode vir a ter sentimentos de culpa, vergonha e solidão, ou sentimentos de tristeza, cansaço e medo. Todos esses sentimentos são normais.
O Que Você Precisa Saber
  • A doença de um ente querido, não é culpa sua e nem dele.
  • Você não pode curar o seu familiar, mas pode lhe oferecer apoio, compreensão e esperança.
  • Cada pessoa apresenta o transtorno de humor de uma forma diferente, com sintomas também diferentes. Isto é, varia de pessoa para pessoa.
  • A melhor maneira de você saber sobre o que o seu familiar portador do transtorno bipolar necessita, o ideal é perguntar diretamente para ele e buscar mais conhecimentos acerca da doença.
O Que Você Precisa Saber:
  • Informação:  contatos do psiquiatra, terapeuta do familiar portador, o seu hospital local para atendimento, e sobre os membros da família de confiança que podem ajudar em uma crise/episódio e os amigos de contato. (Incluindo os números de emergência médica, caso seja necessário)
  • Se você é ou não é uma pessoa autorizada a falar com o psiquiatra do seu ente querido, sobre o tratamento, e se isso não puder acontecer, o que fazer para receber a autorização.
  • Quais são as instruções especiais para os tratamentos e medicamentos que o seu familiar recebe, quais as dosagens, e quaisquer mudanças necessárias na dieta ou da atividade de vida diária.
  • Quais são os sinais mais prováveis de aviso de que um episódio maníaco ou depressivo se aproxima (tais como palavras ou comportamentos), e o que você pode fazer para ajudar nestes momentos.
  • Que tipo de ajuda pode oferecer diariamente, como apoiar nas tarefas domésticas ou ajudar com as compras.
  • Peça esclarecimentos de coisas que você não entende, de forma tranquila, educada e firme para a equipe de saúde, para cuidadores.  Como também escrever as coisas para se lembrar.
O que dizer para ajudar
  • Você não está sozinho(a) nessa. Conte conosco, conte comigo.
  • Entendo que é uma doença real, que traz pensamentos e sentimentos.
  • Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você se sente mudará.
  • Talvez eu não consiga entender exatamente como você se sente, mas eu te amo e quero lhe ajudar.
  • Quando você pensar em desistir, pense que em apenas um dia, hora ou minuto, você poderá aproveitar o sucesso.
  • Você é importante para mim. Sua vida é importante para mim.
  • Diga-me o que posso fazer agora para lhe ajudar.
  • Nós vamos passar por isso juntos.
O que você deve evitar dizer:
  • É tudo sua imaginação.
  • Todos nós temos momentos como este.
  • Você vai ficar bem. Pare de se preocupar.
  • Olhe para o lado positivo.
  • Você tem tantas coisas para viver. Por que você quer morrer?
  • Eu não posso fazer nada sobre a sua situação.
  • Deixe isso.
  • Pare de agir como um louco.
  • E você? Não deveria estar melhor agora?
 
O que fazer se alguém está em crise
Algumas pessoas são estabilizadas rapidamente após o início do tratamento medicamentoso, outros levam mais tempo e precisam tentar vários tratamentos, drogas ou combinações de drogas antes de se sentir melhor. A psicoterapia ajuda a controlar e entender os sintomas no momento.
Se o seu amigo ou familiar enfrenta desafios no tratamento, apoio e paciência são necessários mais do que nunca. A educação pode ajudá-lo tanto para encontrar opções disponíveis e como ajudá-lo a decidir se você precisa de uma segunda opinião. Ajude o seu ente querido para tomar os medicamentos como foram orientados, e não assumir que a pessoa não está seguindo o plano de tratamento só porque você não está se sentindo 100% melhor.
Há uma esperança
Como amigo ou parente de alguém que está lutando com transtorno bipolar ou depressão, o seu apoio é uma parte importante no processo de melhoria e recuperação. Não perca a esperança! O tratamento para o transtorno de humor funciona, e a maioria das pessoas portadoras podem voltar a levar vidas produtivas e estáveis. Continue trabalhando com seu ente querido, juntamente com os provedores de cuidados de saúde para encontrar os tratamentos que funcionam, e sempre lembrar ao seu parente ou amigo portador que ele tem o seu apoio.
 
 
Fonte: http://www.dbsalliance.org/site/PageServerpagename=esp_about_helping