quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Animais de estimação podem ajudar no tratamento da Depressão

 

Seu cão, gato, coelho ou periquito pode lhe ajudar a superar momentos de extrema tristeza – mas eles também ajudam pacientes com depressão, autismo e deficiência mental por meio da TAA, a Terapia Assistida por Animais

 
 
Muitas vezes, o maior conforto em momentos de dificuldade vem de nossos animais de estimação. Seja com aquele olhar de quem nos entende (todo dono de bicho jura de pés juntos que o animal "entende tudo o que ele diz", não é?), com uma festinha ou um ronronar, os pets são responsáveis em grande escala por fazer de seus donos, com sua parceria e amor inabaláveis, pessoas mais felizes.
É por isso que, muitas vezes, o auxílio dos bichinhos é procurado em momentos de depressão ou em ataques de fobia. Para crianças com autismo e necessidades especiais, cães, coelhos, calopsitas e outras espécies de melhores amigos do homem são coterapeutas na hora de estimular vínculos afetivos. Com os idosos, eles animam o ambiente e dão uma dose extra para os habitantes de casas de repouso e residenciais geriátricos pelo mundo afora.
 
Segundo a pet terapeuta Karina Schutz, os animais podem despertar empatia a tal ponto de fazer com que pacientes diagnosticados com autismo ou depressão deem grandes passos em relação às suas doenças:
— Suponha que uma pessoa com depressão adquira um animal de estimação. O que esse animal vai fazer? Ele vai fazer com que a pessoa tenha que dar cuidado ao animal. Se tu tiver que dar comida, por exemplo, é responsabilidade tua. Ele não vai viver sem ti. Tu vais te sentir importante pelo simples fato de ter alguém para cuidar. Tu podes até ter um filho e ter responsabilidade sobre ele, mas a diferença que desperta, o carisma que desperta do animal para a pessoa é diferente, porque o filho discute com a pessoa e o animal não te julga, acaba te amando incondicionalmente.
— Muitas vezes, tu utilizas um animal para trabalhar com uma pessoa. Para fazer com que essa pessoa leve o cachorro para passear na rua, isso ajuda a pessoa que tem depressão, porque ela acaba saindo de casa, indo para a rua, colocando o animal dela num parque, acaba fazendo amizade com outras pessoas que tenham cães. O animal é um grande estimulador das funções sociais, das habilidades sociais do ser humano.
 
No entanto, nem todas as pessoas que poderiam se beneficiar da Terapia Assistida por Animais (TAA), como é chamada, podem ter acesso a ela. Os animais ainda são barrados na maioria dos ambientes hospitalares do Brasil. O terapeuta pode trabalhar com animais em consultórios particulares, mas sua entrada em hospitais é vetada. Em Porto Alegre, nenhuma instituição permite o trabalho com animais terapêuticos e nem a entrada dos animais de estimação dos internados, nem aqueles em unidades semi-intensivas. No Estado, o Hospital Centenário, em São Leopoldo, e o Hospital Universitário de Pelotas já adotam a prática, mas a TAA ainda engatinha no país.
Em âmbito federal, um projeto de autoria do deputado Giovani Cherini tramita na Câmara com o propósito de habilitar os hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a disponibilizarem a TAA a seus pacientes. No entanto, a causa ainda espera seu paladino na política, para acontecer não apenas em casas, mas em estabelecimentos de saúde no país inteiro.
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Jornal Zero Hora